março 27, 2006

Universo Corporativo

Nessa sexta feira eu fui numa entrevista de emprego.
Lá, após uma breve dinâmica de grupo - um assunto que pretendo revisitar algum dia - eles nos pediram pra fazer um texto, de no mínimo 20 linhas, tema livre.

Depois de um tempo de indecisão, fiz esse que vou postar aqui. Acho que ficou razoável, ainda mais se tratando de algo que fiz sem a ajuda da rapidez da digitação e com a necessidade de impressionar alguém. (Porque aqui eu escrevo qualquer merda que tá valendo... Não tenho a obrigação de agradar ninguém a não ser eu mesmo!)

O tema que eu escolhi, claro, foi o "Universo Corporativo". Mas de uma maneira diferente da que vocês imaginam... Olha só:

"O humano que reside no Universo Corporativo é um tanto diferente daquele que conhecemos. Saídos da vida rudimentar, esse tipo de homo sapiens persevera em um ambiente totalmente estranho e esterelizado.

Esse universo corporativo começa, já a partir das ondas magnéticas visuais a demonstrar sua diferença. Ao invés do costumeiro azul do céu e do verde das matas, o universo é percebido através da saturação de tons de preto e branco, normalmente o cinza. Também é diferente a casta social, aonde antigamente os mais fortes e aptos reinavam. Houve uma inversão de valores, então àqueles que reinam são os mais fortes, mesmo que na verdade, sejam mais fracos. Sim, é um processo intrincado.

Além das cores e castas, o humano do universo corporativo desenvolveu uma nova linguagem. Palavras como "cronograma", "diretrizes", "interdepartamentalizar", "delegar", e outras, deram espaço aonde antigamente eram usados fonemas simplórios. O gerúndio mal-colocado também é um sintoma do Universo Corporativo. Uma frase denúnciadora é: "Estarei lhe retornando à ligação". Outra é: "Precisamos de um downsizing imediato, capaz de reestruturar o cronograma e nos botar em superávit flúido novamente, a.s.a.p!!" - Cuidado ao ouvir e não deixe as gravatas lhe enganarem - esse é um humano corporativo.

E tome cuidado realmente. Esse universo tem fronteiras bem delineadas, chamadas "baias". Aquele que transpor essa linha divisória imaginária arrisca-se a sofrer uma agressão das brabas! Objetos antes irrisórios, como clipes de papel e grampeadores, são associados à estimulos fortíssimos de ciúmes, levando os residentes desse mundo à grosserias extremas.

Então, tome cuidado ao adentrar esse mundo. Ele é vantajoso, confortável e seguro, mas esses sintomas são sempre vistos.
Ah, e eles são contagiosos."

E aí? To contratado?

2 comentários:

Robson disse...

Ficou bacana mesmo!
Tava curioso pra ver.

Anônimo disse...

seu texto nao tem final...
isso pode ser uma patologia cronica... talvez nao contratasse...